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DOEU NA RESSACADA: o Tigre virou, o Maestro voltou, mas o Avaí empatou no último suspiro e roubou dois pontos do nosso peito
Análise

DOEU NA RESSACADA: o Tigre virou, o Maestro voltou, mas o Avaí empatou no último suspiro e roubou dois pontos do nosso peito

04 de maio de 2026·Por Felipe Makarios

Avaí 3, Novorizontino 3 na Ressacada. Um jogo de cinema com 26 minutos de acréscimo somados, expulsão do Bianqui, dois cartões vermelhos, virada do Tigre com gols de Robson e Rômulo, pênalti do Léo Naldi aos 45+11 colocando o time em vantagem — e gol do Avaí no penúltimo lance arrancando o empate. No meio do caos, o retorno mais aguardado do ano: Marlon voltou a campo após 9 meses afastado por lesão. O Tigre chega a 9 pontos em 11º lugar. Análise honesta: o que foi bom, o que pecou, e o que precisa mudar pra brigar pelo acesso direto.

SÉRIE B 2026 · 7ª RODADA · 03/05/2026 · RESSACADA AVAÍ 3 CASA × 3.937 PRESENTES 26 MIN. ACRÉSCIMOS NOVORIZONTINO 3 VISITANTE EMPATE COM GOSTO DE DERROTA

Olha, eu vou te falar o que tá doendo aqui no peito do torcedor 017 nessa madrugada de segunda.

Não é a derrota. Porque não foi derrota.

É algo pior. É aquele empate que tem gosto de derrota. Aquele empate em que você sai do estádio, ou desliga a TV em casa, e fica olhando pro teto perguntando como é que a gente conseguiu deixar dois pontos na Ilha quando o jogo já tava ganho. É o empate que era pra ser vitória.

Avaí 3, Novorizontino 3. Sétima rodada da Série B. Estádio Ressacada, Florianópolis, 03 de maio de 2026. Um jogo de seis gols, duas viradas, uma expulsão, dois cartões vermelhos, 26 minutos de acréscimo somando os dois tempos, e o último gol no penúltimo segundo de bola rolando.

Foi cinema. Foi teatro. Foi tudo. Menos justiça com quem trabalhou mais.

CRONOLOGIA DA LOUCURA SEIS GOLS · DUAS VIRADAS · UM EMPATE NO ÚLTIMO LANCE 23' · 1º TEMPO ⚽ Luiz Henrique (AVA) — bomba de fora da área AVAÍ 1 × 0 NOVORIZONTINO 45+ · 1º TEMPO 🟥 Bianqui expulso (NOV) · 🟥 Walace França (AVA) 11 minutos de acréscimo encerram a etapa 3' · 2º TEMPO ⚽ Robson (NOV) — 1º empate, gritou todo o Vale AVAÍ 1 × 1 NOVORIZONTINO 2º TEMPO ⚽ Rômulo (NOV) — virada do Tigre na Ilha AVAÍ 1 × 2 NOVORIZONTINO 45+1' · 2º TEMPO ⚽ Rafael Bilu (AVA) — empate de novo AVAÍ 2 × 2 NOVORIZONTINO 45+11' · ⚽ PÊNALTI ⚽ Léo Naldi (NOV) — pênalti, 3 a 2 Tigre! "ACABOU, PROFESSOR" — todo torcedor em casa

↓ E AÍ VEIO O ÚLTIMO LANCE QUE NOS QUEBROU ↓

45+12' — O ÚLTIMO SUSPIRO ⚽ Felipe Avenatti (AVA) — penúltimo lance da partida AVAÍ 3 × 3 NOVORIZONTINO

O 1º TEMPO QUE NOS COBRA AINDA HOJE

O Tigre começou o jogo sem objetividade. Aquele negócio de rondar a área adversária sem definir, sem chutar a gol, sem causar perigo de verdade. "O time paulista rondou a bola na frente da área adversária sem objetividade nas definições" — não sou eu falando, é a crônica do Ogol descrevendo o que a gente viu na TV.

E aí aconteceu o que costuma acontecer com quem não mata.

Aos 23 minutos, Luiz Henrique pegou de fora da área, soltou uma bomba sem chances pro César. 1 a 0 Avaí.

O primeiro tempo virou um inferno. Patrick e o nosso próprio goleiro César Augusto se trombaram em alta velocidade, choque feio de cabeça. Patrick saiu, entrou Alemão. Allyson do Avaí também saiu lesionado. Walace França tomou vermelho por briga. E o nosso Matheus Bianqui foi expulso por dois amarelos seguidos, deixando o time com um a menos no detalhe.

O JOGO QUE PAROU O VALE DO TIETÊ NÚMEROS QUE EXPLICAM A LOUCURA DA RESSACADA 26 MIN. DE ACRÉSCIMOS 11' 1ºT + 15' 2ºT 2 CARTÕES VERMELHOS Bianqui (NOV) · W. França (AVA) 6 GOLS NA PARTIDA 3 de cada lado 2 VIRADAS duas no mesmo jogo

Fomos pro intervalo perdendo 1 a 0, com um a menos, com Patrick fora, e com aquele gosto ruim de "tava na nossa mão e a gente jogou fora".

A REAÇÃO QUE MOSTROU O TAMANHO DO TIGRE

Voltou pra segunda etapa um time diferente. O Enderson Moreira fez o ajuste — entrou Juninho no lugar do Tavinho — e o Tigre subiu a marcação, encurtou o campo, parou de sofrer.

Aos 3 minutos do segundo tempo, Robson empatou. A nota oficial do Avaí confirma: gols de Robson, Rômulo e Léo Naldi para o Novorizontino. Foi o sinal de que o time tinha entendido o recado. Marcação alta, bola no chão, criação pelos lados.

E aí veio a virada. Alemão começou a jogada com bom passe por cima pra Juninho. O meia invadiu a área e cruzou rasteiro. Rômulo chegou no segundo poste e completou pra rede. Estádio em silêncio. 2 a 1 Tigre na Ressacada.

A 017 espalhada por bares de Novo Horizonte, por casas em São Paulo, por grupos de WhatsApp pelo país inteiro — todo mundo gritou junto. Aquele tipo de gol que você grita dentro da TV e não sente vergonha.

★ MOMENTO DO JOGO ★ O MAESTRO VOLTOU. MARLON · CAMISA 10 9 meses depois da lesão de LCA Bem-vindo de volta, professor.

O MAESTRO VOLTOU À RESSACADA

Antes de continuar a narração, eu preciso parar um momento aqui.

Porque no segundo tempo, em algum momento dessa loucura toda, o número 10 entrou em campo.

Marlon voltou.

Nove meses. NOVE meses entre o último jogo dele com a camisa do Tigre e o apito que o autorizou a entrar na Ressacada. Nove meses de cirurgia de LCA, fisioterapia, academia, recuperação muscular, treino com bola, treino sem bola, dieta, dor, esperança, recaída e mais esperança. Nove meses lendo no Instagram do clube cada nota de "Marlon segue evoluindo no departamento médico" e torcendo pra que aquilo um dia virasse "Marlon relacionado".

Sábado virou domingo. Domingo virou Ressacada. E o Maestro voltou.

Não foi um retorno triunfal de gol. Não foi assistência decisiva. Foi melhor: foi o cara pisando no gramado de novo, sentindo a grama, sentindo o jogo, sentindo a torcida adversária pegando no pé. Foi o cara provando pra si mesmo, e pra todos nós, que ainda dá. Que ainda tá lá.

O futebol do Marlon vai voltar com o tempo. O ritmo, a leitura, aquele passe que descosta marcador — tudo isso vem com minutos. Mas o Marlon-pessoa, o Marlon-camisa-10, o Marlon-Maestro do Tigre — esse já voltou.

E quando ele entrou em campo, mesmo num jogo eletrizante, mesmo no meio do drama, eu te juro que muita gente em casa apertou o peito de saudade. Bem-vindo de volta, professor. O Vale do Tietê não esquece os seus.

O PÊNALTI QUE PARECIA O OURO

Voltando ao jogo. Porque a história ficou ainda mais cruel.

O Avaí foi com tudo pro ataque depois da virada. Mexeu o time inteiro, colocou Paulo Vitor, Rafael Bilu, Sorriso. Empilhou nome no banco. E aos 46 minutos do segundo tempo (sim, já no acréscimo, e o quarto árbitro tinha anunciado 10 minutos de acréscimo, depois virou 15), Wesley Gasolina cruzou pela esquerda e Rafael Bilu deixou tudo igual. 2 a 2.

Você pensa: "acabou, fica empate, leva o ponto, vamos pra casa".

Mas aí o futebol mostrou pra que veio.

Juninho — o nosso Juninho que tinha entrado pra mudar o jogo — foi pra cima em jogada individual, virou Aquino, e o zagueiro do Avaí derrubou. Dentro da área. Pênalti claro. O VAR confirmou.

Aos 56 minutos do 2º tempo (45+11), Léo Naldi pegou a bola, respirou fundo e bateu firme no canto. Goleiro caiu pro outro lado. 3 a 2 Tigre.

Foi nesse momento que muita gente, eu inclusive, levantou do sofá com os braços pra cima. "Acabou, professor! Pegamos a Ressacada!"

Faltava um lance. Um. Lance.

O ÚLTIMO SUSPIRO QUE NOS QUEBROU

Aos 45+12, no penúltimo lance da partida, o Avaí foi pra cima de novo. Felipe Avenatti, atacante que tinha entrado no segundo tempo, pegou de dentro da área e fez o terceiro do Avaí.

3 a 3 na Ressacada. Apito final logo depois.

Os jogadores do Avaí celebraram como se fosse vitória. Pra eles, foi. Estavam há quatro jogos sem ganhar, vinham de duas derrotas seguidas. Aquele empate no último lance é gás pra continuar. Pra nós, foi como tomar um banho gelado às 4 da tarde de domingo. Banho frio que demora pra passar.

O Tigre caiu sentado no gramado. Alguns deitados. Robson com a mão no rosto. Léo Naldi olhando pro chão. O cara que tinha decidido o jogo de pênalti, agora encarando a grama tentando entender como.

A CONTA AMARGA DA NOITE

Vamos ser justos com a nossa análise. Sem vitimismo, sem fingir que foi melhor do que foi.

A CONTA AMARGA DA NOITE ✓ O QUE FOI BOM → Reagiu com um a menos → Ajuste do Enderson funcionou Juninho mudou o jogo → Robson de volta a marcar 2º gol dele na Série B → Rômulo pintou na hora certa Primeiro gol em 2026 → Sangue frio no pênalti Léo Naldi 45+11 → O Maestro voltou. ✗ ONDE PECOU → 1º tempo morno Sem objetividade no terço final → Expulsão evitável do Bianqui Bobeira de cartão dobrado → Sumiu na defesa no acréscimo 3 × 2 era pra ser cadeado → Falha no Avenatti Faltou corneta no último lance → Caiu de produção 15min de acréscimo é tempo demais → 2 pontos perdidos.

A TABELA DOEU DE VERDADE

Agora a parte que dói no projeto.

Com o empate, o Tigre chegou aos 9 pontos em 7 jogos. 11ª colocação na Série B 2026, com vantagem nos critérios sobre o Avaí (12º), também com 9.

SÉRIE B 2026 · APÓS 7ª RODADA TOP 2 SOBE DIRETO · 3º AO 6º DISPUTAM PLAYOFF POS CLUBE PTS SOBE FORTALEZA 14 SOBE GOIÁS 12 ZONA DE PLAYOFF DO ACESSO (3º AO 6º) CRICIÚMA 11 VILA NOVA 11 JUVENTUDE 10 CEARÁ 10 ↑ LINHA DO PLAYOFF DE ACESSO ↑ SPORT 10 11º NOVORIZONTINO ← 9 12º AVAÍ 9

Fontes: Cássio Zirpoli · Gazeta Esportiva

É média de 1,28 pontos por jogo. Ritmo de quem briga pra não cair, não de quem briga pra subir.

Vamos lembrar do regulamento novo de 2026: os dois primeiros sobem direto para a Série A. Do 3º ao 6º vão para um playoff. Subir direto vira meta de qualquer clube com ambição. Cair no playoff é loteria — joga muito, ganha pouco, depende de hora errada de adversário. O acesso direto, dentro do top 2, é o objetivo real.

A MATEMÁTICA DO ACESSO DIRETO PRA SUBIR ENTRE OS 2 PRIMEIROS, SEM PLAYOFF JÁ TEMOS 9 pontos em 7 jogos + PRECISAMOS DE 56 em 31 jogos restantes = META ~65 pontos finais Significa somar 1,80 PTS / JOGO Vencer praticamente 2 a cada 3 jogos. Sem desconto.

O QUE O TIGRE PRECISA, AGORA

O empate de ontem foi um sinal. Foi o universo cutucando: "acorda, vocês têm material pra mais que isso".

O time tem o Robson em alta — artilheiro do clube com 7 gols na temporada. Tem o Rômulo voltando a marcar. Tem o Léo Naldi sólido no meio. Tem o César Augusto crescendo no gol. Tem o Marlon voltando a campo. A peça humana tá lá.

Falta:

  1. Resolver o primeiro tempo. Time de acesso não dá 45 minutos de cortesia pro adversário. Pressão alta desde o apito.
  2. Disciplina. A expulsão do Bianqui é o tipo de coisa que decide jogo. Volta de cabeça quente é volta de derrota.
  3. Saber fechar. Quando você está vencendo a 1 minuto do fim, o que tem que acontecer é cadeado, não desespero. Faltou liderança em campo no último lance.
  4. O Marlon ganhar minutagem. Não vai voltar a 100% num só jogo. Mas a presença dele já reorganiza o time. Quanto antes a gente puder contar com 80 minutos do Maestro por jogo, melhor.

O QUE A 017 SENTE NESSA MANHÃ

Tô falando aqui como torcedor que dormiu mal e acordou com aquela dor surda no peito.

Dói porque a gente vinha numa sequência boa. Dói porque a gente teve o jogo na mão. Dói porque o Avaí, que vinha mancando, tirou energia da nossa vitória pra continuar acreditando. Dói porque nove minutos a mais virou diferença entre 3 pontos e 1.

Mas a 017 não foi feita pra desabar.

O Tigre joga de novo na próxima rodada. O Marlon vai ter mais minutos. O Robson tá em fase. O grupo é bom. O Enderson fez ajustes que funcionaram. O empate de ontem doeu, mas não matou.

Se a gente conseguir aprender com ele — fechar o jogo quando tá ganhando, manter cabeça quando o juiz aperta, e dar minutagem ao Maestro pra ele voltar a ditar o ritmo — esse 3 a 3 da Ressacada vira combustível. Vira aquela noite que a gente vai contar lá no fim do ano dizendo: "foi naquele jogo que o Tigre acordou".

Subir direto não é o caminho mais fácil. É o caminho certo.

E a 017 já decidiu há muito tempo: subir não é opção. É reparação.

Bem-vindo de volta, Marlon. Cabeça erguida, Tigre. A gente acredita nesse projeto. Mas a gente também cobra.

Próxima rodada, Jorjão. Vamo.

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🗣️ Bate-Bola da Torcida

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