
O título que o Tigre está deixando passar e por que isso custa mais do que parece
A poucas horas da volta da semifinal da Copa Sul-Sudeste contra a Chapecoense, o Novorizontino sinaliza desinteresse pela competição. Esta coluna defende que o torneio vale mais do que parece — R$ 400 mil já garantidos, vaga na Copa do Brasil 2027 e a chance de um título inédito que levantaria o moral do elenco e reconquistaria a torcida.
O título que o Tigre
está deixando passar.
A poucas horas de uma semifinal, o que o torcedor do Tigre viu nas redes oficiais do clube não foi uma palavra sequer sobre a decisão. Em vez disso, o foco já estava na próxima rodada da Série B. A mensagem, ainda que não dita com todas as letras, ficou clara: a Copa Sul-Sudeste não está na lista de prioridades. E é exatamente sobre isso que precisamos conversar.
Nesta quarta-feira, 27 de maio, às 19h, na Arena Condá, o Novorizontino joga a volta da semifinal contra a Chapecoense. Depois de perder por 2 a 0 em casa — com um time alternativo, quase todo formado por garotos do sub-20, enquanto a Chape veio com força máxima —, o Tigre precisa de um verdadeiro milagre: vencer por três gols de diferença para avançar direto, ou por dois para levar a decisão aos pênaltis. Uma tarefa hercúlea que, convenhamos, nasceu de uma escolha feita lá atrás: a de não tratar essa competição com a seriedade que ela merece.
Não é exagero. Após a derrota na ida, em entrevista ao ge, o próprio técnico Enderson Moreira reforçou o objetivo do clube e classificou o torneio como uma "competição teste", boa para dar minutagem aos garotos da base — deixando claro que o foco total está na Série B. E aqui mora o problema: essa leitura subestima — e muito — o que está realmente em jogo.
💰 O que está realmente em jogo
R$ 400 mil
já acumulados pelo clube na competição, somando as cotas de fase de grupos e semifinal. Quem chega à final fatura ainda mais.
Copa do Brasil
o campeão garante vaga na 3ª fase da Copa do Brasil de 2027 — uma porta de entrada para visibilidade e receita.
Título inédito
é a 1ª edição da Copa Sul-Sudeste. Quem vencer entra para a história como o primeiro campeão do torneio.
Não é, portanto, uma "competiçãozinha sem importância". É dinheiro real, é uma vaga na maior copa nacional e é a chance de levantar uma taça. Tratar isso como descartável é, no mínimo, discutível.
Muito além do troféu
Mas o que defendemos aqui vai além da premiação. Há valores que não cabem numa planilha. Uma final — e quem sabe um título — teria um efeito que o dinheiro não compra: levantar o moral de um elenco e reacender a chama de uma torcida.
O torcedor do Tigre anda carente de motivos para vibrar. A sensação que fica é a de uma arquibancada que perdeu parte do entusiasmo, que já não enche o Jorjão com a mesma fé de antes. E nada reconquista uma torcida como uma campanha vitoriosa, como a emoção de uma decisão, como a possibilidade concreta de comemorar uma conquista. Times se constroem também no campo emocional — e o Novorizontino tem, bem na sua frente, uma oportunidade de ouro de fazer exatamente isso.
Ninguém aqui ignora que a Série B é, e deve ser, a prioridade. O acesso é o grande sonho do ano. Mas existe uma diferença entre priorizar e desprezar. Dava — e ainda dá — para honrar as duas frentes. Bastava encarar a Copa Sul-Sudeste com um pouco mais de ambição, em vez de tratá-la como um estorvo na agenda.
Amanhã, na Arena Condá, ainda há um fio de esperança.
A missão é quase impossível, é verdade. Mas o futebol já provou mil vezes que "quase" não é "nunca". Que o Tigre entre em campo, ao menos desta vez, jogando para ganhar — pela camisa, pela torcida e por tudo aquilo que essa competição, no fim das contas, representa. Porque oportunidades de fazer história não aparecem todo dia. E deixá-las passar custa mais caro do que parece.
🗣️ Bate-Bola da Torcida
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